Alunos da Santa Júlia aprendem a valorizar cultura negra por meio de músicas africanas

Sentados no pátio e desfrutando da brisa que soprou forte na tarde desta terça-feira (21), os alunos do fundamental I da Escola Municipal Santa Júlia, na Itinga, em Lauro de Freitas, cantaram a África embalados pelos acordes dos violões da Camerata Wa Bayeke. Canções de países como Serra Leoa, Congo e Máli dedilhadas em versões acústicas apresentaram para os pequenos um som peculiar e ainda pouco difundido pelo mundo.

A ação integra o projeto África Aqui, Acolá, África em Todo Lugar, realizado nessa terça-feira em alus Novembro Negro, é desenvolvido na unidade pela professora Rosangela Accioly, mestre em Educação e Contemporaneidade pela Universidade Estadual da Bahia (UNEB). De acordo com a educadora, durante o ano inteiro os estudantes vivenciam o continente através de expressões artísticas e culturais.

“O intuito é difundir a cultura negra entre eles e fazer com que o processo de identificação aconteça”, destaca a professora sinalizando ainda que a iniciativa segue as determinações da lei 11.645, que obriga o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena nas instituições de ensino.

O músico e líder da Camerata Thon Nascimentos, conta que a ideia de formar o grupo surgiu a partir da sua percepção artística. De acordo com ele na Bahia existem estereótipos da música africana. “No Brasil, as músicas de origem africana sofrem uma grande invisibilidade, já que são geralmente tratadas e percebidas a partir de visões generalistas e pouco apoiadas em conhecimentos empíricos consistentes. Trazer essa reafirmação para a escola é super propício por que este é o melhor espaço de difundi-la, é um local fértil.”, explicou. Nascimentos disse ainda que o nome do grupo é inspirado  em Jean Bosco Mwenda (1930–1991), um importante guitarrista africano que influenciou várias gerações de músicos na África.

Abraçadas as pequenas Júlia e Ana Santos ouviam atentamente as canções. “Eu achava que na África só tinha música com ritmos fortes, tocadas com atabaque, tambor… Hoje aprendi que há outras canções lentas e são muito bonitas”, afirmou Ana de 8 anos. Já Bruno Silva, conta que o que mais gostou foi ver os músicos se apresentar no palco da sua escola. “Eu quero ser cantor quando eu crescer e eles tocam muito bem”, disse entusiasmado.

Além da apresentação da Camerata, as escolas Santa Júlia e Santa Rita receberão nesta sexta-feira (24), a exposição fotográfica ‘África Yetu’, realizada após expedição na Tanzânia com imagens, relatos e um documentário em vídeo.  Na mostra, a valorização da cultura negra estará em evidência.  O fotógrafo baiano Glad Macedo, autor do material, apresentará através das suas lentes a cultura do país da costa leste africana.

Encerrando as atividades do ano letivo do África Aqui, Acolá, África em todo lugar, a cantora Juliana Ribeiro se apresentará no palco da Concha Acústica Roger Batera, nesta terça-feira (28), acompanhada do. A culminância do projeto também trará apresentações teatrais com foco na temática negra encenadas pelos alunos do Santa Júlia.

 

Fonte: ASCOM PMLF

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