Bloqueios vão gerar 40 milhões de desempregados, afirmam empresários

Empresários avaliam que a crise desencadeada pela disseminação do novo coronavírus provocará grande impacto no sistema de saúde brasileiro, mas os estragos na economia real serão muito mais profundos, com possibilidade de gerar um caos social no País. Eles pedem ações de grande impacto por parte da União. O presidente da XP Investimentos, Guilherme Benchimol, disse que vê um risco de crescimento do desemprego para mais de 40 milhões de brasileiros em decorrência da pandemia do Covid-19. “É um número assustador”, disse hoje, 22, em uma live com outros empresários.

“Eu vi hoje uma entrevista do presidente regional do Fed de St. Louis, James Bullard (banco central norte-americano), dizendo que a taxa de desemprego irá subir de 3% para mais de 30% nos Estados Unidos por causa da crise”, afirmou. “No Brasil, onde há mais de 10 milhões de desempregados, acredito que o impacto será muito maior”, disse.

Polêmica

O empresário Roberto Justus, disse que quarentena e paralisação geral do comércio, por exemplo, vão causar muito mais danos à população carente, que o vírus em si.

“No Brasil são 35 mortes, o que é muito pouco para os 210 milhões de habitantes. Tem que tomar cuidado com esse vírus? Sem dúvida. Mas, um lockdown total o planeta vai causa uma catástrofe econômica. E quem vai sofrer? Os mais pobres e os mais carentes com a falta de emprego …”.

Para ele, tanto o poder público, quanto os empresários deveriam se movimentar para criar mais leitos de hospitais e importar ventiladores da China, por exemplo, a fim de evitar um colapso no sistema de saúde brasileiro. Mas, crianças deveriam retornar às aulas, assim como os adultos ao trabalho.

“Como 90% dos infectados não terão problemas sérios, ao invés de destruir a economia do país, vamos investir em melhorar o sistema de saúde […]. Vamos isolar e cuidar dos idosos e de quem está em situação de risco. Mas, quem está saudável vai trabalhar. Crianças devem ir à escola. Vamos deixar a economia rodar!”

Já o dono da rede de restaurantes Madero, Junior Durski, acredita que o número de mortes causadas pelo novo coronavírus no Brasil não será tão grave quanto o de desempregos. O empresário é contrário às medidas adotadas no Brasil para tentar frear a disseminação da doença.  Em um vídeo compartilhado por Durski nas redes sociais nesta segunda-feira (23), o empresário paranaense expressou sua opinião.

“O Brasil não pode parar dessa maneira. O Brasil não aguenta. Tem que ter trabalho, as pessoas têm que produzir, têm que trabalhar. O Brasil não tem que essa condição de ficar parado assim. As consequências que teremos economicamente no futuro vão ser muito maiores do que as pessoas que vão morrer agora com o coronavírus”, opinou.

O empresário acredita que as consequências econômicas serão maiores do que cinco ou sete mil mortes que devem ocorrer por causa da Covid-19. “Eu sei que nós tínhamos que chorar, e vamos chorar cada uma das pessoas que morrerem com o coronavírus, vamos cuidar, isolar os idosos, isolar as pessoas que tenham algum problema de saúde, como diabetes, vamos. É nossa obrigação fazer isso. Mas não podemos, por conta de cinco mil pessoas, ou sete mil, vão morrer”, diz Durski.

Na publicação do vídeo, Junior Durski ainda previu “30, 40 milhões de desempregados” no próximo ano. “É o que teremos em 2021 se não parar este lockdown [bloqueio em livre tradução do inglês] insano. Vão morrer 300, 400, 500 mil pessoas nos próximos 2 anos no Brasil em consequência do dano econômico causado pelo lockdown”, afirmou.

“Estou preocupado com o Brasil, com a situação toda, com o pequeno empresário, o vendedor de pipoca, a pessoa que tem um mercadinho, um restaurantinho, um barzinho, esse vai quebrar e não vai ter o que fazer. Estou preocupado com os 30 milhões que não terão emprego em 2021. Tem que ser mais realista para esse negócio todo”, disse ao garantir que O Madero tem reservas e não vai demitir seus cerca de oito mil funcionários.

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