Setor de serviços na Bahia tem pior mês março em 8 anos

O setor de serviços na Bahia registrou o pior mês de março em oito anos, com quedas tanto em relação a fevereiro de 2020 (-7,8%) quanto a março do ano passado, período em que chegou a -12%.  Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (12).  

O quadro negativo se repete ainda em relação aos números nacionais no comparativo de fevereiro e março deste ano, em que o desempenho baiano foi o pior entre os estados, diante da média de queda no país de -6,9%. Esse mesmo desempenho na comparação anual também ficou muito pior que o nacional (- 2,7%), quando a Bahia ficou atrás apenas de estados do Amapá (- 13,2%) e Rio Grande do Norte (- 12,4%). 

Ainda de acordo com o levantamento, apesar de ser o segundo resultado negativo consecutivo, o ritmo de queda se acelerou bastante, já que de janeiro para fevereiro a queda foi de 0,1%. Cenário que preocupa o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado (Fecomércio-BA), Carlos Andrade. 

“Esses números deixam a gente ainda mais preocupados. Desde o início o setor quer preservar as vidas. Trabalho no setor de saúde desde 1956 e nunca vi um negócio tão grave como esse. Quando as pessoas circulam menos, elas compram menos e é justo porque estamos em quarentena e aí o consumo cai. O comércio entende as medidas e a grande saída tem sido o comércio eletrônico”, afirma. 

Andrade pontua que o estímulo aos serviços de plataformas de venda, drive thru e de delivery também ajudam neste memento, porém, é preciso que as linhas de crédito cheguem até os negócios, sobretudo, os médios e pequenos. “Tudo ajuda. O nosso apelo agora é em dividir esse prejuízo para que a gente possa manter os empregos. O crédito precisa chegar para que os empresários possam salvar suas empresas e os empregos que elas geram”. 

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), Luciano Lopes é mais um que defende que investimentos sejam feitos no setor nesse momento de pandemia. “Salvador tem uma economia muito lastreada no setor de serviços.  E nos hotéis, os problemas são mais graves ainda. Os restaurantes ainda têm o delivery, mas nos hotéis essa receita é zero mesmo. Em Salvador, 30 mil empregos diretos estão ligados a hotelaria. Estamos fazendo um acordo emergencial junto a Banco do Nordeste para o crédito emergencial possa chegar realmente no caixa”, pontua. 

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