
A maior ilha marítima do Brasil, localizada na Baía de Todos-os-Santos, vive uma realidade paradoxal. Enquanto turistas desfrutam das praias paradisíacas e da intensa vida cultural, moradores convivem diariamente com a presença de facções criminosas que disputam o controle territorial.
Com 239 km² e cerca de 57 mil habitantes, a Ilha de Itaparica é dividida entre os municípios de Itaparica e Vera Cruz — este último concentra 80% da área. Apesar de ser um dos destinos mais procurados por visitantes de Salvador, a proximidade com a capital e a baixa fiscalização das rotas marítimas transformaram o território em ponto estratégico para o tráfico de drogas.
Manguezais isolados e acessos rápidos ao Recôncavo Baiano e ao litoral sul ampliam a logística das organizações criminosas, como Bonde do Maluco (BDM), Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC)
Cone Sul (Aratuba, Berlinque e Tairu): área dominada pelo Comando Vermelho, que expandiu influência após romper aliança com o grupo Katiara. Pichações e intimidações marcam a presença da facção.
Mar Grande: principal porta de entrada da ilha, é controlada em 90% pelo Bonde do Maluco. Regiões como Tererê e Baixinha do Riachinho são consideradas de alto risco, com relatos de jovens armados e tiroteios frequentes.
Alto do Riachinho: sob domínio do PCC, antigo aliado do BDM, mas ainda cercado por tensões e medo entre moradores
A tranquilidade que consolidou Itaparica como “refúgio de Salvador” vem sendo abalada por episódios de violência. Um exemplo é o desaparecimento do jovem mineiro Daniel Araújo Gondim, visto pela última vez em outubro de 2025, em área controlada pelo CV. A família chegou a pagar resgate, mas até hoje não obteve respostas
Apesar do cenário de insegurança, a ilha segue como destino turístico. Entretanto, operações policiais são constantes para conter o avanço das facções. O delegado Leandro Mascarenhas, titular da 24ª Delegacia de Vera Cruz, afirma que o trabalho é focado em inteligência e na prisão de lideranças. Entre os alvos está Ângelo Martins de Cerqueira Neto, o “Tio Chico”, integrante do Baralho do Crime e apontado como líder do CV na região.

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