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Polícia registra recorde de participação em tiroteios em Salvador

Em 2025, Salvador e Região Metropolitana contabilizaram 1.505 tiroteios, número 16% menor que em 2024 (1.795 ocorrências). Apesar da redução, o dado mais preocupante é que 44% dos disparos aconteceram durante ações policiais, o maior índice da série histórica, segundo o Relatório Anual do Instituto Fogo Cruzado. No ano anterior, essa proporção foi de 38%.

Letalidade policial em destaque

Para Tailane Muniz, coordenadora regional do Instituto Fogo Cruzado, os números revelam uma política de segurança baseada no confronto:

“A Bahia insiste na letalidade policial como política de Estado. Não se trata de excessos pontuais, mas de uma estratégia que aposta no confronto permanente, mesmo diante de evidências de que esse modelo amplia a violência e não reduz o poder das organizações criminosas.”

O especialista em segurança pública Sandro Cabral, professor do Insper e licenciado da UFBA, aponta que o fortalecimento bélico das organizações criminosas intensifica os embates:

“Com facções cada vez mais bem armadas, muitas vezes com acesso facilitado a armas legalizadas, a resposta policial tende a ser mais contundente. O conflito armado acaba sendo a última instância de resolução.”

Vítimas e impacto social

No total, 1.525 pessoas foram baleadas em Salvador e RMS em 2025:

  • 1.212 morreram
  • 313 ficaram feridas
  • 605 vítimas (40%) foram atingidas em operações policiais

Em 2024, foram 1.725 baleados, com 1.380 mortes e 630 vítimas em ações policiais (36%).

Crianças e adolescentes

A violência também atingiu jovens:

  • 64 adolescentes baleados (alta de 21% em relação a 2024)
  • 27% dos casos ocorreram em ações policiais
  • 5 crianças foram atingidas ao longo do ano

Escolas sob risco

A rotina escolar foi diretamente afetada:

  • 252 escolas tiveram tiroteios em seu entorno em 2025
  • 67% das ocorrências próximas às unidades aconteceram durante operações policiais
  • Bairros majoritariamente negros, como Fazenda Coutos, Rio Sena e Lobato, concentraram 5% dos casos próximos a escolas
  • Em áreas de população branca, como Itaigara, Pituba e Barra, o índice foi de apenas 0,3%

Muniz alerta para o impacto desigual:

“Quando a polícia atua como principal agente dos tiroteios no entorno de escolas, o Estado se torna protagonista da insegurança. Isso afeta de forma devastadora o futuro de crianças e adolescentes, sobretudo negros e pobres.”

Caminhos para reduzir confrontos

Cabral defende maior uso de inteligência policial e integração entre corporações:

“Muitos confrontos podem ser resolvidos sem disparos. É possível prender criminosos com ações estratégicas. Mas, diante do fortalecimento das facções, a resposta acaba sendo proporcional.”

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