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Opinião: ACM Neto adota tom “paz e amor”

Olhares mais atentos podem começar a traçar paralelos entre o modelo de comunicação adotado pelo ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União), e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com uma diferença de mais de duas décadas. A transformação de ACM Neto numa versão ligeiramente mais “leve” teve início com a chegada do marqueteiro João Santana ao grupo, reproduzindo a estratégia que consagrou Duda Mendonça em 2002, com “Lulinha paz e amor”. Nada se cria, tudo se transforma.

Até o começo de 2026, o tom adotado por ACM Neto ao criticar o governo de Jerônimo Rodrigues foi duro. Após um hiato de quase um ano depois da derrota em 2022, o ex-prefeito de Salvador retornou aos holofotes como oposição aguerrida e com escolhas temáticas e estéticas que sinalizavam um enfrentamento excessivamente combativo. Nesse contexto, os aliados de Jerônimo minimizavam os ataques e colocavam na conta de ACM Neto o que eles costumam tratar como “herança maldita”, como se fosse possível falar disso 20 anos depois do PT chegar ao poder.

A mudança é discreta. E não necessariamente havia um erro de condução. É uma rota recalculada, para tentar reverter o resultado do último pleito, quando a disputa foi encerrada apenas no segundo turno. Como em outubro a probabilidade de uma eleição em dois tempos é praticamente nula, ACM Neto e seu entorno preferiram se adaptar a um modelo que deu certo no começo dos anos 2000, quando não se imaginava de maneira tão enfática a chance de Lula chegar ao poder.

A versão “ACM Neto paz e amor” pode ser sentida nos dois últimos grandes eventos públicos relacionados à campanha eleitoral. Na apresentação de Zé Cocá (PP) como candidato a vice-governador, em Feira de Santana, e na adesão de José Carlos Aleluia, então candidato a governador pelo Partido Novo (sic), ao projeto do ex-prefeito. Em ambos, as críticas mais contumazes não vieram de ACM Neto, mas do entorno dele, evitando um desgaste maior para o candidato com nomes que possuem grande apelo nas urnas, como o próprio Lula.

Talvez o exemplo mais emblemático tenha sido a partir da resposta do prefeito Bruno Reis à provocação de Jerônimo sobre a inauguração de um conjunto residencial com a presença de Lula. Em alguns tons acima do próprio padrão, o prefeito da capital baiana sugeriu que os adversários ficaram “tomando uísque até tarde”, razão pela qual cancelaram a agenda. Bruno sabia não ser verdade, pois o cancelamento foi no dia anterior. Porém Bruno precisava acenar para os antipetistas que insistem na classificação de Lula como um “bêbado”. Logo, ele aproveitou a oportunidade para vociferar contra o presidente, exercendo um papel de “cão de guarda” do aliado.

Caso se mantenha essa estratégia, a versão mais “leve” de ACM Neto tende a ampliar as chances de ele conquistar votos que são simpáticos a Lula e contrários ao modelo de gestão do PT na Bahia. Foi assim que Lula conquistou o Palácio do Planalto em 2022 – com uma série de outros fatores, obviamente. A fórmula até parece simples. Só precisa ver se João Santana vai manter os acertos que permearam a carreira dele.

Fonte: Bahia noticias

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