
O psicoterapeuta Jordan Campos é alvo de uma investigação do Ministério Público da Bahia (MP-BA) por suspeita de estelionato, assédio moral, assédio sexual e violação sexual contra quatro mulheres. Segundo as apurações, uma das vítimas teria sido induzida a transferir cerca de R$ 345 mil para contas ligadas ao profissional após revelar detalhes de sua vida financeira durante sessões terapêuticas.
A investigação aponta que Jordan Campos teria utilizado a relação de confiança construída durante o acompanhamento psicológico para convencer a paciente a investir no consultório administrado por ele. Após a transferência do dinheiro, a mulher teria se mudado para Salvador para trabalhar no local, mas acabou sendo afastada da gestão e teve o acesso às movimentações financeiras bloqueado. Ainda conforme o MP-BA, o psicoterapeuta teria se recusado a devolver os valores.
Na terça-feira (26), o investigado foi alvo da “Operação Catarse”, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) e pelo Núcleo de Enfrentamento às Violências de Gênero em Defesa dos Direitos das Mulheres (Nevid). Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na residência e no escritório do suspeito, nos bairros da Pituba e Caminho das Árvores, em Salvador.
A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 960 mil em bens, além da quebra de sigilos informático e telemático. Jordan Campos teve ainda o exercício de atividades ligadas à psicoterapia suspenso, incluindo consultas clínicas, cursos, palestras, mentorias e eventos semelhantes.
De acordo com o Ministério Público, há indícios de que o investigado utilizava sua posição de autoridade profissional, notoriedade nas redes sociais e informações íntimas das pacientes para obter vantagens financeiras e sexuais. As apurações indicam que, desde 2020, ele atuaria de forma sistemática escolhendo mulheres em situação de vulnerabilidade emocional, com histórico de traumas, baixa autoestima e dependência afetiva.
Entre as demais denúncias, uma ex-paciente e aluna afirma ter sofrido atos sexuais sem consentimento após ser convencida a sair do Rio Grande do Sul para a Bahia. Outras duas mulheres, ex-alunas e ex-funcionárias, relataram assédio moral e sexual, além de coerção psicológica e ambiente de trabalho abusivo.
Segundo o MP-BA, todas as vítimas descreveram um padrão semelhante de comportamento e afirmaram conhecer outras mulheres que ainda não formalizaram denúncia por medo ou vergonha.
Com mais de 400 mil seguidores nas redes sociais e atuação em diversas capitais do país, Jordan Campos também ministrava cursos, workshops e formações na área terapêutica.
Em nota divulgada nas redes sociais, o psicoterapeuta negou todas as acusações. Ele afirmou ser inocente, declarou que colabora com a Justiça e disse acreditar que “a verdade será plenamente esclarecida”. Jordan também alegou que denúncias anteriores semelhantes foram arquivadas após investigações realizadas em outras instâncias.

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