
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), atribuiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) parte da responsabilidade pela demora na análise de pautas de interesse do governo no Congresso, entre elas a proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1.
Segundo informações da colunista Malu Gaspar, de O Globo, Alcolumbre teria sido questionado por um parlamentar da base governista sobre a demora para colocar a matéria em votação e respondeu:
“A culpa é do Lula, que ficou 90 dias sem falar comigo.”
O governo federal vem pressionando há mais de dois meses para que o Senado avance com a análise da proposta, aprovada pela Câmara dos Deputados em maio. O texto estabelece uma jornada de 40 horas semanais, distribuídas em cinco dias de trabalho e dois de descanso.
Apesar da pressão do Palácio do Planalto, aliados de Alcolumbre avaliam que a discussão deve ficar para depois das eleições de outubro, diante do calendário eleitoral e das articulações políticas em andamento.
A declaração acontece após um período de aproximadamente três meses de distanciamento entre os presidentes da República e do Senado.
Lula e Alcolumbre voltaram a conversar na semana passada durante um jantar realizado na residência do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Um novo encontro entre os dois está previsto para esta quarta-feira (12).
O afastamento ocorreu em meio ao desgaste provocado pela derrota de Jorge Messias, então advogado-geral da União e indicado por Lula para uma vaga no STF, durante a votação no Senado.
A possibilidade de a proposta sobre a escala 6×1 demorar a avançar já havia sido sinalizada por Alcolumbre. Em junho, o senador afirmou que o Senado não teria pressa para analisar a matéria e indicou que o texto deveria passar por pelo menos uma comissão antes de ser levado ao plenário.
Com isso, apesar da pressão do governo pela votação, a tendência apontada por aliados do presidente do Senado é que a discussão seja retomada somente após o período eleitoral.

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