
O senador Omar Aziz (PSD-AM), relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1, rejeitou nesta quarta-feira (2) todas as 36 emendas apresentadas ao texto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.
Entre as propostas recusadas estavam alterações apresentadas por parlamentares da oposição que buscavam preservar a possibilidade de jornadas de seis dias de trabalho para um de descanso ou permitir cargas horárias superiores às 40 horas semanais por meio de negociação coletiva.
A CCJ iniciou nesta quarta a análise da PEC 221/2019, cerca de quatro meses após a proposta chegar ao Senado. O texto havia sido aprovado pela Câmara no fim de maio, com 22 votos contrários entre os 513 deputados.
Entre os autores de emendas rejeitadas estão Izalci Lucas (PL-DF), Vanderlan Cardoso (PSD-GO), Oriovisto Guimarães (PSDB-PR), Laércio Oliveira (PP-SE) e o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN).
Aziz argumentou que aceitar as mudanças descaracterizaria o objetivo central da proposta: reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial, e garantir dois dias de descanso por semana.
“Eu não tenho como acatar porque descaracterizam completamente aquilo que é o objetivo, [reduzir] de 44 para 40 horas, sem perder nenhuma remuneração e mantendo dois dias semanais com a família”, afirmou.
O relator também rejeitou propostas para ampliar o período de transição dos atuais 14 meses para até quatro anos, deixar a implementação para uma futura lei complementar ou criar compensações fiscais para empresas.
Uma das emendas apresentadas por Izalci Lucas permitia que determinadas categorias negociassem escalas diferenciadas entre empregadores e trabalhadores, inclusive com jornadas superiores ao limite previsto pela PEC.
Rogério Marinho, por sua vez, propôs um modelo baseado em horas trabalhadas que manteria a possibilidade da escala 6×1. Para o senador, uma redução obrigatória e uniforme da jornada poderia trazer impactos sobre produtividade, inflação e emprego.
Omar Aziz contestou os argumentos e afirmou que a redução da jornada não levaria o país a um colapso econômico. O relator lembrou que, com a Constituição de 1988, o Brasil reduziu a carga semanal de 48 para 44 horas.
Aziz também citou experiências internacionais de redução da jornada e defendeu que a mudança aproxima o Brasil do padrão de 40 horas semanais adotado em outros países.
Se aprovada pela CCJ, a PEC seguirá para análise do plenário do Senado.

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