
Uma mãe de santo denunciou um pastor evangélico após o terreiro Ilê Axé Tonan Onirê ser alvo de dois episódios de vandalismo no distrito de Acupe, em Santo Amaro, no Recôncavo da Bahia. Os casos aconteceram nos dias 4 e 30 de agosto.
Segundo a Polícia Civil, o inquérito sobre os ataques foi encaminhado à Justiça no sábado (12). Até o momento, ninguém foi preso.
O terreiro funciona na comunidade desde 1998. De acordo com Mãe Deca, responsável pelo espaço religioso, esta foi a primeira vez que a casa sofreu um ataque em quase três décadas de funcionamento.
O primeiro episódio teve como alvo um assentamento de Exu instalado havia aproximadamente três anos em frente ao terreiro.
Segundo Mãe Deca e relatos de testemunhas, o pastor denunciado teria ido ao local no dia 4 de agosto e destruído parte do assentamento. “Ele quebrou o assentamento de Exu e disse que foi Deus quem mandou”, relatou.
Após reconstruir o espaço, a mãe de santo afirmou ter procurado o suspeito e disse que teria sido ameaçada durante a conversa. Segundo ela, o homem afirmou que voltaria a destruir a representação e que também a agrediria caso tentasse impedi-lo. Pessoas presentes teriam interferido para evitar uma agressão.
No dia 30 de agosto, o assentamento voltou a ser vandalizado e foi completamente destruído.
Com orientação da Associação Brasileira de Preservação da Cultura Afro-Ameríndia (AFA), Mãe Deca registrou a ocorrência na Delegacia de Santo Amaro e solicitou uma medida protetiva.
Para a líder religiosa, a denúncia busca proteger não apenas os frequentadores do Ilê Axé Tonan Onirê, mas também outras comunidades de religiões de matriz africana.
“Assim como foi aqui, poderia ter sido em outro terreiro. Isso não pode acontecer”, afirmou.
As circunstâncias dos ataques e a eventual responsabilidade do homem denunciado dependem da análise das autoridades e do andamento do caso na Justiça.

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