
A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou estar em “estado de profunda consternação e tristeza” durante a sessão extraordinária realizada nesta terça-feira (15), em Brasília. A magistrada também disse estar “envergonhada” com a situação vivida pela Corte e pediu desculpas à população brasileira.
A sessão discutiu questões relacionadas ao relatório da Polícia Federal que reúne mensagens e outros registros envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Antes de uma eventual análise do mérito, o Supremo discute questões processuais relacionadas ao material e à possibilidade de investigação.
Durante sua manifestação, Cármen Lúcia lamentou principalmente os efeitos da crise interna da Corte sobre a sociedade.
“Eu estou triste. Não apenas pelo tema que nos traz aqui […] mas porque o Supremo Tribunal Federal […] provocou, acho, um mal-estar cívico em todas as cidadãs e cidadãos brasileiros nesses últimos dias.”
A ministra também chamou atenção para o fato de a crise ocorrer a menos de 20 dias do primeiro turno das eleições de 2026, período em que, segundo ela, questões internas e processuais do Supremo passaram a ocupar parte significativa do debate público.
Cármen Lúcia afirmou que gostaria de ter contribuído mais para reduzir as tensões entre os integrantes do tribunal e pediu desculpas ao presidente do STF, Edson Fachin, aos demais ministros e aos brasileiros.
“Peço desculpas ao povo brasileiro, ao presidente e aos colegas por não ter ajudado, não ter feito o melhor para acalmar as coisas”, declarou.
A sessão desta terça foi marcada por fortes divergências entre os ministros. O julgamento acabou interrompido após Flávio Dino pedir vista, suspendendo a análise. Até aquele momento, havia placar provisório de 4 a 3 sobre a forma de condução dos procedimentos relacionados a Moraes e ao ministro André Mendonça.
As mensagens, relatórios e acusações relacionados ao caso Banco Master continuam sob análise das autoridades e não representam, por si só, comprovação de irregularidade por parte dos ministros citados.

Compartilhar Notícia