
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a ampliação das apurações sobre as relações entre o Banco Master e empresas responsáveis pela administração de cemitérios concedidos pela Prefeitura de São Paulo. Ao mesmo tempo, estabeleceu que a Polícia Federal (PF) não poderá realizar atos investigativos que atinjam diretamente o ministro André Mendonça.
A decisão foi tomada na quinta-feira (17), no âmbito de um processo que discute a fiscalização e as condições das concessões dos serviços funerários, cemiteriais e de cremação da capital paulista.
Segundo Dino, eventual apuração envolvendo a conduta de Mendonça deverá ser encaminhada pelo presidente do STF, Edson Fachin, para análise da própria Corte. Dessa forma, o inquérito da PF ficará limitado às relações entre o Banco Master, concessionárias de cemitérios e eventuais agentes dos Poderes Executivo e Legislativo.
Dino também determinou que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) priorize o levantamento de informações relacionadas à concessionária Cemitérios e Crematórios SP, vinculada ao Grupo Maya, e às demais sociedades relacionadas à empresa.
A CVM terá 15 dias para apresentar as informações solicitadas, especialmente sobre relações entre fundos de investimento e as concessionárias de cemitérios de São Paulo.
A ampliação ocorreu após surgirem informações sobre financiamentos concedidos pelo Banco Master envolvendo empresas do setor. Segundo documentos citados nas reportagens, ações da concessionária teriam sido oferecidas como garantia de dois financiamentos que, juntos, somavam R$ 78 milhões.
O nome de André Mendonça apareceu nas discussões depois que veio a público que ele se reuniu com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, em março de 2025. No dia seguinte ao encontro, Mendonça pediu vista de um julgamento do STF relacionado aos preços cobrados pelas concessionárias de serviços funerários de São Paulo.
A existência dessa sequência de fatos motivou questionamentos sobre possível conflito de interesses, mas não representa, por si só, comprovação de irregularidade por parte do ministro. Eventual apuração sobre Mendonça deverá seguir separadamente, sob condução institucional do STF.
As investigações sobre as operações empresariais e financeiras envolvendo o Banco Master e as concessionárias continuam.

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